Cardiologia

    Cuidados com a Saúde Cardiovascular

    Dicas essenciais para manter o coração saudável e prevenir problemas cardíacos.

    Equipe de Cardiologia Vitalongevit· Cardiologista· revisado por Dr. José Eustáquio de Souza Júnior
    30 de setembro de 20266 min
    Cuidados com a Saúde Cardiovascular

    A revisão "Personalizing prevention for healthy cardiovascular aging", publicada em 2025 reunindo as diretrizes de hipertensão e dislipidemia de 2024-2025, trouxe um reconhecimento formal: idosos foram historicamente sub-representados nos estudos que embasam as diretrizes cardiovasculares, e isso deu origem a uma área própria (a cardiologia geriátrica) pra guiar prevenção personalizada nessa faixa etária.

    Doença cardiovascular continua sendo a principal causa de morte depois dos 65 anos, mas o que mudou nas diretrizes recentes não foi o objetivo (reduzir eventos e mortalidade), e sim o reconhecimento de que idade cronológica isolada não deve decidir o tratamento: fragilidade, função e expectativa de vida entram na equação.

    O que as diretrizes de 2024-2025 mudaram

    A calculadora PREVENT (Predicting Risk of cardiovascular disease EVENTs), da American Heart Association, passou a estimar risco cardiovascular de forma mais precisa, com limiares de LDL mais baixos e ajuste de quando indicar dieta, atividade física e medicação. Mas a decisão final em idosos segue individualizada: não é automática pela idade.

    Os pilares que continuam valendo em qualquer idade

    • Parar de fumar
    • Controlar pressão arterial e colesterol conforme meta individualizada
    • Atividade física regular, adaptada à capacidade funcional
    • Controle de peso e dieta com menos sódio e gordura saturada
    • Uso de antiplaquetários, estatinas, betabloqueadores e inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona quando indicados
    • Reabilitação cardíaca após eventos cardiovasculares

    Por que a reabilitação cardíaca é subutilizada em idosos

    A reabilitação cardíaca reduz eventos e mortalidade de forma documentada, mas segue sendo um dos recursos menos usados nessa faixa etária, muitas vezes por dificuldade de acesso, mobilidade reduzida ou falta de indicação explícita pelo médico assistente. Vale perguntar diretamente ao cardiologista se o programa está disponível após qualquer evento cardíaco.

    Sinais que pedem atendimento imediato

    Em pessoas mais velhas, o problema cardíaco nem sempre aparece como a dor forte no peito que todo mundo conhece. Cansaço súbito, confusão mental ou mal-estar difícil de descrever também podem ser o primeiro sinal, e por isso vale conhecer a lista completa.

    • Dor, aperto ou peso no peito, que pode irradiar para braço, pescoço, mandíbula ou costas
    • Falta de ar desproporcional ao esforço ou que aparece ao deitar
    • Desmaio, tontura intensa ou palpitação acompanhada de mal-estar
    • Inchaço nas pernas que piora rapidamente ou ganho de peso rápido em quem tem insuficiência cardíaca
    • Fraqueza súbita de um lado do corpo, fala enrolada ou boca torta, que indicam possível AVC

    Diante de qualquer um desses sinais, o caminho é procurar a emergência ou ligar para o SAMU (192), sem esperar para ver se passa.

    Cuidado cardiovascular no idoso não significa metas mais frouxas por padrão, nem mais rígidas por princípio: significa metas discutidas caso a caso, considerando comorbidades, fragilidade e o que a pessoa valoriza em termos de qualidade de vida.

    Acompanhamento cardiológico regular, com reavaliação periódica de metas e medicações, é o que garante que o tratamento evolua junto com a saúde real do paciente, e não com um protocolo fixo.