Geriatria

    Polifarmácia: Riscos do Uso de Múltiplos Medicamentos

    Como a revisão periódica das medicações reduz efeitos adversos e melhora a qualidade de vida do idoso.

    Equipe de Geriatria Vitalongevit· Médico(a) Geriatra· revisado por Dr. José Eustáquio de Souza Júnior
    09 de setembro de 20267 min
    Polifarmácia: Riscos do Uso de Múltiplos Medicamentos

    Uma edição especial de 2026 da Frontiers in Medicine cunhou um acrônimo para descrever o grupo que mais sofre com excesso de medicamentos: VOCODFLEX: idosos muito velhos, com comorbidades, demência, fragilidade e expectativa de vida limitada. Esse grupo tem algo em comum, além da idade: acumula prescrições de diferentes especialistas que raramente conversam entre si sobre o que já foi receitado.

    A boa notícia da pesquisa mais recente é que "desprescrever" (reduzir ou suspender medicamentos de forma planejada) deixou de ser ideia de nicho e virou linha ativa de pesquisa clínica, com ensaios multicêntricos e avaliação de custo-efetividade.

    O que a evidência de 2025-2026 mostra sobre desprescrição

    • Revisão de 2026 sobre avaliações econômicas encontrou que desprescrever sedativos, anti-inflamatórios e inibidores de bomba de prótons usados por tempo prolongado é onde a evidência de custo-benefício é mais consistente
    • Estudo com farmacêuticos comunitários (2026) mostrou que eles conseguem identificar oportunidades de desprescrição durante revisões de medicação, mas o impacto depende de como isso é implementado na prática
    • Revisão de ensaios multicêntricos (2025) em hospitais mostrou que a internação, por reunir médico e farmacêutico revisando o paciente de perto, é uma janela de oportunidade real para reduzir medicamentos com segurança

    Por que a hospitalização é um bom momento para revisar tudo

    Ao contrário do que se poderia imaginar, internações não são apenas risco: são também oportunidade. A revisão estruturada de medicamentos durante a internação, com escrutínio repetido de médicos e farmacêuticos, tem se mostrado capaz de reduzir risco de reinternação, idas à emergência e mortalidade, segundo ensaios multicêntricos publicados em 2025-2026.

    A escala do problema

    Segundo dados populacionais recentes, cerca de 46% dos beneficiários do Medicare (sistema de saúde de idosos nos EUA) tomam cinco ou mais medicamentos, e a proporção global de pessoas com 65 anos ou mais deve saltar para 16% até 2050, o que projeta um crescimento proporcional do problema se nada mudar na forma de prescrever.

    Sinais de que a lista de remédios precisa de revisão

    • Uso de cinco ou mais medicamentos diferentes, incluindo de venda livre e suplementos
    • Sintoma novo que pode ser efeito colateral de um remédio já em uso, e não uma doença nova (a chamada cascata de prescrição)
    • Prescrições de mais de um especialista sem comunicação entre eles
    • Dificuldade de organizar horários e doses, com risco de erro na administração

    Conclusão

    A pesquisa mais recente confirma que revisar e, quando indicado, reduzir medicamentos é uma intervenção clínica ativa: não um gesto de desistência do tratamento. O momento certo para isso é frequentemente durante consultas de rotina ou internações, com participação de médico e farmacêutico.

    Nenhum medicamento deve ser suspenso por conta própria. A desprescrição precisa ser planejada e acompanhada por um médico geriatra, de preferência com apoio de farmacêutico clínico.